Ontem fechou com chave de ouro esta edição do festival. Tive grandes surpresas na noite. A primeira delas foi Tomasz Stanko.
Tomasz me surpreendeu muito, eu havia ouvido vagamente um disco seu na casa do meu amigo Perna, que estava lá assistindo, e gostei, mas não me aprofundei muito na obra dele, pouco sabia sobre.
Na entrada do show, encontrei Ed Motta e Edna. Ed estava bastante entusiasmado, com discos para autografar, inclusive, e esse foi pra mim o segundo sinal de que deveria ter prestado mais atenção antes de ir vê-lo.
A formação da banda é de piano, guitarra e baixo – tocado quase todo o tempo com palheta – e bateria. Era bastante rock. Músicos excelentes. Destaque para Jim Black na bateria, bastante criativo e com estilo único, e para Jakob Bro na guitarra.
Jakob Bro merece muita atenção. Guitarrista talentoso, inesperado, foi sem dúvida uma atração à parte no show de Stanko.
Stanko era parceiro musical de Komeda. Dedicou obras a ele, é adepto da música livre. Conversamos um pouco no camarim depois do show. Por sorte encontrei Ed por lá e pedi para me ajudar na entrevista pela minha ignorância no assunto. Você pode conferir o vídeo no site do TIM.
Saí dali muito feliz pela grande surpresa e fui ver o final do excelente show do Neon Neon. Pena eu não ter conseguido ver todo, como planejava, mas o pouco que vi já valeu a pena. Har Mar Superstar é uma participação bastante luxuosa em qualquer festival. Aproveitando a vinda, aliás, ele deveria ter feito um show sozinho, embora ele tenha participado de quase todos os shows que vi.
Vi um pouco do Bill Frisell também. Adoro Bill tocando, sua maneira sensível de lidar com efeitos fica realçada no formato de trio. Já toquei junto com o baterista Kenny e adoro seu estilo. Falei com Kenny sobre o show do Dan Deacon e nos encontramos mais tarde por lá.
Marcelo Camelo deveria ser um capítulo à parte – e foi, para mim, pelo envolvimento com ele e sua história, o show mais emocionante. Um grande estado de alegria tomou conta de mim por vê-lo tão bem, tão bem acompanhado pelo Hurtmold, que adoro, mas, mais do que tudo, pela constatação de que a pausa do Los Hermanos finalmente conseguiu dar o passo a frente na estranha viuvez que havia ficado. Vê-lo novamente lidando com o público com alegria me deixou muito alegre. Literalmente ganhei meu dia.
Fui ver um pedaço do Gogol Bordello, que foi para mim outra grande surpresa. Simpatizo com Eugene, o vocalista, mas achava algo estranho nos discos, achava parecido com Mano Negra, banda de que sempre gostei, mas não batia muito, e agora ao vivo é outra história.Gogol Bordello passa por cima, eles atropelam, é impossível não se deixar contagiar e perder qualquer senso crítico. E essa era a situação do público. Quando cheguei, estava parecendo um grande carnaval, não havia ninguém parado. Eugene tem um carisma absurdo e a banda é muito boa. Como é bom estar errado e ter surpresas.
Dali, fui descansar um pouco e tentar entrevistar Dan Deacon, mas, quando chegamos ao camarim, eu e Mariano Marovatto, meu companheiro de aventuras durante o festival, íamos começar, mas o Junior Boys já estava na ultima música, e Dan precisava se preparar. Bom, quem viu o show sabe que não haveria a menor condição de entrevistá-lo depois.
Que show! Sabia que seria bom, mas não imaginava que ele conseguiria promover aquela catarse numa platéia que não o conhecia. Impossível descrever. Tentando brevemente, seria algo como se Bruce Haack tomasse speed e estivesse desesperado para fazer a maior e mais insana festa já feita na humanidade.
Aliás, a pessoa que eu deveria ter entrevistado e fotografado era o segurança que estava ao lado de Deacon. Ele não estava acreditando naquilo tudo. Queria muito saber seu ponto de vista, mas na hora eu também estava fora de mim e não consegui voltar ao foco. Vi Gruff correndo e dançando com Har Mar, Hermano Vianna dançando – sim, eu disse Hermano dançando. Kenny de boca aberta tentando entender, a galera do Bonde do Rolê, João Brasil. Imagino às vezes que pra muitos que estavam ali era como ver os Sex Pistols na época, pela primeira vez. A vida se divide entre antes e depois daquele show. Não consegui entrevistar Dan, mas quem se importa. Não haveria nada mais relevante para ele falar depois.
Infelizmente, eu estava tão imerso no show do Deacon, que não consegui ver Música Magneta, que era quase ao mesmo tempo. E vi o final do show do Sany Pitbull, que estava ótimo. Sany é o grande talento do funk recente, ele está levando o estilo a um lugar novo. Gostaria de ter assistido mais ao show dele.
Bom, agora é aguardar o ano que vem. Esse ano foi antológico, me diverti muito e nem senti tanto o peso da jornada longa. Fiquei com pena de não ver o Paul Weller, mas acho que com tantos bons shows também não fez falta. O saldo foi mais que positivo.
domingo, 26 de outubro de 2008
Baris Manco
Cheguei em casa de madrugada. Acabei encontrando Gruff no ponto de táxi e voltamos juntos, depois de assistir ao show do Dan Deacon, que comento daqui a pouco com a atenção necessária.
Gruff me falou um pouco mais sobre Baris Manco, que havia me indicado antes. Da lista que ele passou, era o único disco que não tinha a imagem da capa, e, pra vocês verem como são as coisas, às 6 da manhã estava eu baixando o disco. Obra-prima, não é tão rock, tem partes que remetem a Marvin Gaye, com baterias eletrônicas e muitos sintetizadores.
Do meu gosto pessoal, se você, leitor, um dia se interessar pelo psicodelismo turco, aconselho também Ersen e Mustafa Ozkent, que não estavam na lista do Gruff.
Acordei depois e fui votar no Gabeira. Daqui a pouco escrevo sobre a noite maravilhosa de ontem.
Gruff me falou um pouco mais sobre Baris Manco, que havia me indicado antes. Da lista que ele passou, era o único disco que não tinha a imagem da capa, e, pra vocês verem como são as coisas, às 6 da manhã estava eu baixando o disco. Obra-prima, não é tão rock, tem partes que remetem a Marvin Gaye, com baterias eletrônicas e muitos sintetizadores.
Do meu gosto pessoal, se você, leitor, um dia se interessar pelo psicodelismo turco, aconselho também Ersen e Mustafa Ozkent, que não estavam na lista do Gruff.
Acordei depois e fui votar no Gabeira. Daqui a pouco escrevo sobre a noite maravilhosa de ontem.
sábado, 25 de outubro de 2008
Gruff




Entrevistei o Gruff agora há pouco, vocalista do Super Furry Animals e do Neon Neon, a essa altura ele já é habitué do festival e do Brasil. O Super Furry já mixou aqui, Gruff tambem já mixou aqui o seu disco solo Candy Lion, os dois com Mario Caldato, o mestre.
Gruff é um grande colecionador de discos, já fomos um na casa do outro, somos amigos e sempre indicamos discos um ao outro. Transcrevi aqui os trechos, brevemente.
Antes de começarmos liguei para o Mario para ele falar com Gruff, e pedi a ele a primeira pergunta da entrevista que foi:
MC: Qual o primeiro disco que você comprou na vida e com que idade?
GR: Foi “Ail Symudiad" um single da música “Wisgi a Soda" (Whisky e Soda).
K: Queria que você indicasse seu top 5 de rock psicodélico turco.
GR:
1 - Erkin Kooray
2 - Elektronik Turkler
3 - Selda’s Greatest Hits
4 - 3 Hurel
5 - 2023 by Baris Manco
Eu queria transcrever na integra o papo, mas fica um pouco difícil aqui. Falamos das gravações que ele fez com Diego Medina e Toni da Gatorra, do Rio Grande do Sul. Com Diego Gruff gravou uma faixa e com Toni um disco inteiro, que ainda não mixou. Vou depois disponibilizar o áudio da entrevista pra quem quiser ouvir. Aliás, vale a pena ouvir Gruff falando, ele é do País de Gales e seu sotaque e o tempo pra falar são impagáveis.
Gruff é um grande colecionador de discos, já fomos um na casa do outro, somos amigos e sempre indicamos discos um ao outro. Transcrevi aqui os trechos, brevemente.
Antes de começarmos liguei para o Mario para ele falar com Gruff, e pedi a ele a primeira pergunta da entrevista que foi:
MC: Qual o primeiro disco que você comprou na vida e com que idade?
GR: Foi “Ail Symudiad" um single da música “Wisgi a Soda" (Whisky e Soda).
K: Queria que você indicasse seu top 5 de rock psicodélico turco.
GR:
1 - Erkin Kooray
2 - Elektronik Turkler
3 - Selda’s Greatest Hits
4 - 3 Hurel
5 - 2023 by Baris Manco
Eu queria transcrever na integra o papo, mas fica um pouco difícil aqui. Falamos das gravações que ele fez com Diego Medina e Toni da Gatorra, do Rio Grande do Sul. Com Diego Gruff gravou uma faixa e com Toni um disco inteiro, que ainda não mixou. Vou depois disponibilizar o áudio da entrevista pra quem quiser ouvir. Aliás, vale a pena ouvir Gruff falando, ele é do País de Gales e seu sotaque e o tempo pra falar são impagáveis.
Expectativas para hoje
Daqui a pouco começa a nova maratona: levo fé no Dan Deacon, Neon Neon e Bill Frisell.
Dan Deacon deve ser visto. Meus amigos de São Paulo me ligaram falando que foi tudo o que esperávamos e mais, delírio total, gente chorando.
Neon Neon além do Gruff, vocal do Super Furry Animals, que entrevistei agora há pouco e já edito, trouxe o impágavel Har Mar Superstar, só por ele o show ja valeria. Hoje realmente promete.
O baterista do Bill Frisell, Kenny, é um dos meus favoritos. Tocou com todo mundo, Lou Reed, Norah Jones, ele é um dos grandes.
Ontem encontrei Katia Bronstein, cantora que adoro e tem grandes discos, ela me mostrou os protetores de ouvido super classe A dela. Você ainda tem tempo para entrar no time. Segue a campanha.
Dan Deacon deve ser visto. Meus amigos de São Paulo me ligaram falando que foi tudo o que esperávamos e mais, delírio total, gente chorando.
Neon Neon além do Gruff, vocal do Super Furry Animals, que entrevistei agora há pouco e já edito, trouxe o impágavel Har Mar Superstar, só por ele o show ja valeria. Hoje realmente promete.
O baterista do Bill Frisell, Kenny, é um dos meus favoritos. Tocou com todo mundo, Lou Reed, Norah Jones, ele é um dos grandes.
Ontem encontrei Katia Bronstein, cantora que adoro e tem grandes discos, ela me mostrou os protetores de ouvido super classe A dela. Você ainda tem tempo para entrar no time. Segue a campanha.
Carla Bley
Se você estiver em Vitória, gosta de música e ler isso a tempo, tente ir ao show da Carla Bley. Você não vai se arrepender.
O show hoje foi esplêndido, sublime. Poderia ficar aqui enchendo essa página de adjetivos grandiosos que não seriam suficientes para descrever a grandeza da música apresentada por Carla e sua banda ontem.
Andy Sheppard faz o saxofone fazer sentido.
Steve Swallow é um dos maiores baixistas vivos, seu som único de baixo elétrico é muito interessante. Ele toca um baixo com captação Piezzo e de palheta, coisa não usual.
O show foi arrebatador, o público reagiu com intensidade aplaudindo de pé em muitos momentos. As composições de Carla foram executadas com todas as suas nuances e dinâmicas, pequenas suítes delicadas como ela, cada escolha de acorde, cada passagem, de uma leveza emocionante e atemporal. Claramente esse foi desde já um dos melhores shows do festival. Foi ainda melhor do que o show que descrevi no post anterior.
Uma versão inusitada de La Paloma, já perto do final, do show foi bem divertida e inesperada.
Fiz uma pequena entrevista depois do show, confira o vídeo no site do TIM. Falamos do disco do Nick Mason e também do nosso amigo Jorge Mautner que, pasmem, é parceiro de Carla em algumas músicas.
O show hoje foi esplêndido, sublime. Poderia ficar aqui enchendo essa página de adjetivos grandiosos que não seriam suficientes para descrever a grandeza da música apresentada por Carla e sua banda ontem.
Andy Sheppard faz o saxofone fazer sentido.
Steve Swallow é um dos maiores baixistas vivos, seu som único de baixo elétrico é muito interessante. Ele toca um baixo com captação Piezzo e de palheta, coisa não usual.
O show foi arrebatador, o público reagiu com intensidade aplaudindo de pé em muitos momentos. As composições de Carla foram executadas com todas as suas nuances e dinâmicas, pequenas suítes delicadas como ela, cada escolha de acorde, cada passagem, de uma leveza emocionante e atemporal. Claramente esse foi desde já um dos melhores shows do festival. Foi ainda melhor do que o show que descrevi no post anterior.
Uma versão inusitada de La Paloma, já perto do final, do show foi bem divertida e inesperada.
Fiz uma pequena entrevista depois do show, confira o vídeo no site do TIM. Falamos do disco do Nick Mason e também do nosso amigo Jorge Mautner que, pasmem, é parceiro de Carla em algumas músicas.
Segundo dia
Começou com pé direito com o show da Esperanza Spalding, incrível o que ela faz. Toca baixo acústico, elétrico e canta com desenvoltura. Esperanza levantou a platéia com seu jazz com toques "spiritual". Uma boa versão de “Ponta de Areia” de Milton Nascimento e Fernando Brant também contagiou. A boa participação do guitarrista Chico Pinheiro foi excelente. Muito bom também o tema em três em que ela somente cantou acompanhada do piano, infelizmente não sei o nome... ignorância minha.
Dali fui ver Kanye West. Interessante ver uma produção desse porte, embora não seja muito a minha parada. Kanye faz uma espécie de ópera moderna, com cenário futurista com enormes telões e projeções. Cafona como é a ópera. Uma grande produção pop.
Sai para ver o National, bastante interessante. Dois metais, um tecladista que também toca violino, muito bom de ver. O público reagiu animado, provocando o comentário “Thank you internet” feito pelo vocalista Matt Berninger, que ilustra bem a importância da rede nos dias de hoje, tanto pra eles quanto pro MGMT que viria depois. Mas isso eu comento daqui a pouco.
Perdi Stacey Kent, mas cheguei para ver Carla Bley que tanto esperava. Vou comentar num post separado para poder me alongar.
MGMT foi muito bom. O psicodelismo do álbum fica bem mais evidente ao vivo: os trejeitos a la T-Rex, as boas canções, tudo rendeu muito bem. Show irrepreensível. Nas músicas “Electric Feel” e “Time to Pretend” o público reagiu como se reagisse a hits de rádio mostrando mais uma vez na noite a força que a disseminação das músicas na internet tem, como havia comentado Matt Berninger antes.
Finalizando a noite, Instituto tocando o repertório dos discos do Tim Maia Racional, além de outra músicas como “Ela Partiu”. A banda é um time dos sonhos: Pupillo do Nação Zumbi na bateria, Catatau e Rian do Cidadão Instigado, Ganja no piano elétrico, são alguns dos destaques. Cantando: Simoninha, minha amiga Thalma de Freitas, Curumin e o maravilhoso e inestimável Carlos Dafé.
Dafé é incrível e vê-lo é sempre bom. Ele é um grande cantor, adoro seus dois primeiros discos, são clássicos do movimento Black Rio. Além de um disco que é pouco comentado do grupo Fuzi 9, do qual ele fazia parte. Uma banda de fuzileiros.


Dali fui ver Kanye West. Interessante ver uma produção desse porte, embora não seja muito a minha parada. Kanye faz uma espécie de ópera moderna, com cenário futurista com enormes telões e projeções. Cafona como é a ópera. Uma grande produção pop.
Sai para ver o National, bastante interessante. Dois metais, um tecladista que também toca violino, muito bom de ver. O público reagiu animado, provocando o comentário “Thank you internet” feito pelo vocalista Matt Berninger, que ilustra bem a importância da rede nos dias de hoje, tanto pra eles quanto pro MGMT que viria depois. Mas isso eu comento daqui a pouco.
Perdi Stacey Kent, mas cheguei para ver Carla Bley que tanto esperava. Vou comentar num post separado para poder me alongar.
MGMT foi muito bom. O psicodelismo do álbum fica bem mais evidente ao vivo: os trejeitos a la T-Rex, as boas canções, tudo rendeu muito bem. Show irrepreensível. Nas músicas “Electric Feel” e “Time to Pretend” o público reagiu como se reagisse a hits de rádio mostrando mais uma vez na noite a força que a disseminação das músicas na internet tem, como havia comentado Matt Berninger antes.
Finalizando a noite, Instituto tocando o repertório dos discos do Tim Maia Racional, além de outra músicas como “Ela Partiu”. A banda é um time dos sonhos: Pupillo do Nação Zumbi na bateria, Catatau e Rian do Cidadão Instigado, Ganja no piano elétrico, são alguns dos destaques. Cantando: Simoninha, minha amiga Thalma de Freitas, Curumin e o maravilhoso e inestimável Carlos Dafé.
Dafé é incrível e vê-lo é sempre bom. Ele é um grande cantor, adoro seus dois primeiros discos, são clássicos do movimento Black Rio. Além de um disco que é pouco comentado do grupo Fuzi 9, do qual ele fazia parte. Uma banda de fuzileiros.


sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Protetores

Uma coisa que nem todo mundo pensa, mas quem trabalha com áudio se preocupa: maneiras de proteger a audição.
Gosto de som alto. Entre som alto e som baixo, prefiro alto.
Mas como depois dos trinta é ladeira abaixo, sugiro que vocês, queridos leitores comecem a pensar sobre isso: protetores de ouvido. Dos joelhos e dentes não vou nem entrar no assunto. A audição gasta.
Hoje em dia eles estão se desenvolvendo. É claro que aqueles que encontramos em farmácias quebram um galho, mas também cortam os agudos exageradamente. Mas é possível encontrar protetores que somente amenizam o ruído e deixam tudo “um pouquinho mais baixo”.
Com um bom protetor de ouvidos, um investimento, aliás, que não é muito caro, sua vida pode melhorar muito e você vai poder ter muito mais prazer assistindo shows em geral. Fora isso o tempo de exposição ao volume de um show pode se prolongar, você vai se cansar menos, e no caso de um festival onde provavelmente muitos shows são atrativos, isso é um grande trunfo. Pense nisso.
Sobre Carla Bley e Steve Swallow

Hoje vou tentar conversar com a Carla e com o Steve sobre dois discos que adoro.
O Jimmy Giuffre 3 era um trio de Steve Swallow com Paul Bley, ex-marido de Carla, ao piano, e o clarinetista e saxofonista Jimmy Giuffre, que dava nome ao trio. Jimmy, infelizmente morreu esse ano em abril, uma grande perda. Conheci seus álbuns recentemente através do meu amigo Perna, mas se tornaram meus prediletos imediatamente.
Sobre os discos de Carla fica até difícil começar a falar. Adoro ela, acompanho seu trabalho, já vi ela ao vivo e fiquei sem ar. Estávamos tocando na Casa da Música no Porto em Portugal e tive a oportunidade de jantar com ela, Steve e Andy Sheppard, saxofonista que adoro e que deve estar com eles hoje.
Um pouco depois desse encontro comprei um disco que não conhecia, um disco solo do Nick Mason, baterista do Pink Floyd, Fictitious Sports. Comprei basicamente pela curiosa ficha técnica: Carla Bley, Steve Swallow, Robert Wyatt nos vocais (um dos meus favoritos de todos os tempos), Chris Spedding, além do próprio Mason que já adorava no Pink Floyd. Todas as músicas e letras do disco são de Carla Bley. Estranho, esse pra mim é um dos melhores discos dela. Hoje vou tentar trocar algumas palavras sobre isso com ela. Além, é claro, de tentar autografá-lo.
Primeiro dia
Depois de anos e anos como espectador do festival, eis que ouviram minhas preces e fui promovido! Surgiu pra mim esse convite de escrever aqui no site, um trabalho bastante divertido pra quem gosta de assistir shows. Alô produção estamos aí!
Via shows desde a época do Hotel Nacional, tenho grandes lembranças, e vi shows memoráveis ao longo dos anos. Hoje, chegando aqui pra ver Sonny Rollins me lembrei muito da época do Hotel Nacional, Rollins já veio aqui e fez show antológico no Parque das Catacumbas. Eu não fui nesse, mas muitas pessoas hoje assistindo o Sonny ainda comentavam aquele show, George Israel, saxofonista do Kid Abelha, entre eles.
George aliás, me contou uma estória ótima, sobre a ocasião em que foi comprar seu primeiro saxofone, na Rua 48 em Nova Iorque. Ao chegar para escolher um instrumento, ouviu alguém testando um saxofone, tocando de maneira sobrenatural. George ficou escutando por uma hora: era Sonny Rollins testando um novo instrumento na sua frente. George esperou ele acabar para testar o seu primeiro instrumento. Hoje, durante o show, emprestei a máquina fotográfica pra que ele registrasse essas imagens.
Maravilhoso o show. Sonny Rollins toca ainda com vigor e personalidade. Sua aparência frágil não condiz com o som poderoso de seu sax, com certeza um dos gigantes do gênero. A banda com uma formação interessante, bateria, baixo, guitarra elétrica, trombone e sax, tocando longe do formal. Temas longos, solos generosos, um claro prazer de tocar por parte de todos contagiando a platéia que aplaudia efusivamente, levantando-se várias vezes.
Saindo dali caminhei até o show de Rosa Passos. No caminho, tive o prazer de conhecer Nelson Ângelo, grande compositor que me foi apresentado por Celina Continentino, aqui comigo na foto que registra o momento. Estava bastante curioso sobre o show dela, conhecia dos discos, mas nunca havia visto ela ao vivo. Como ela canta lindo! Rosa é de uma precisão cortante, a sofisticação requintada dela e da banda que a acompanha, com baixo acústico, bateria, piano e dois sopros fazem asfalto pro seu suingue cantando.
Vi a Carla Bley com Lost Chords ano passado e foi facilmente um dos melhores shows que já vi. Acho que vai ser um dos grandes shows do ano. Vi também MGMT esse ano no Roskilde, foi muito bom e bem diferente do disco. Pra quem já gosta do disco, é um grande complemento. O show é mais rock psicodélico, bom de ver, acho que vai ser bom de assistir no Rio. Também estou curioso pra ver Esperanza Spalding e The National. Amanhã vai ser legal.


Via shows desde a época do Hotel Nacional, tenho grandes lembranças, e vi shows memoráveis ao longo dos anos. Hoje, chegando aqui pra ver Sonny Rollins me lembrei muito da época do Hotel Nacional, Rollins já veio aqui e fez show antológico no Parque das Catacumbas. Eu não fui nesse, mas muitas pessoas hoje assistindo o Sonny ainda comentavam aquele show, George Israel, saxofonista do Kid Abelha, entre eles.
George aliás, me contou uma estória ótima, sobre a ocasião em que foi comprar seu primeiro saxofone, na Rua 48 em Nova Iorque. Ao chegar para escolher um instrumento, ouviu alguém testando um saxofone, tocando de maneira sobrenatural. George ficou escutando por uma hora: era Sonny Rollins testando um novo instrumento na sua frente. George esperou ele acabar para testar o seu primeiro instrumento. Hoje, durante o show, emprestei a máquina fotográfica pra que ele registrasse essas imagens.
Maravilhoso o show. Sonny Rollins toca ainda com vigor e personalidade. Sua aparência frágil não condiz com o som poderoso de seu sax, com certeza um dos gigantes do gênero. A banda com uma formação interessante, bateria, baixo, guitarra elétrica, trombone e sax, tocando longe do formal. Temas longos, solos generosos, um claro prazer de tocar por parte de todos contagiando a platéia que aplaudia efusivamente, levantando-se várias vezes.
Saindo dali caminhei até o show de Rosa Passos. No caminho, tive o prazer de conhecer Nelson Ângelo, grande compositor que me foi apresentado por Celina Continentino, aqui comigo na foto que registra o momento. Estava bastante curioso sobre o show dela, conhecia dos discos, mas nunca havia visto ela ao vivo. Como ela canta lindo! Rosa é de uma precisão cortante, a sofisticação requintada dela e da banda que a acompanha, com baixo acústico, bateria, piano e dois sopros fazem asfalto pro seu suingue cantando.
Vi a Carla Bley com Lost Chords ano passado e foi facilmente um dos melhores shows que já vi. Acho que vai ser um dos grandes shows do ano. Vi também MGMT esse ano no Roskilde, foi muito bom e bem diferente do disco. Pra quem já gosta do disco, é um grande complemento. O show é mais rock psicodélico, bom de ver, acho que vai ser bom de assistir no Rio. Também estou curioso pra ver Esperanza Spalding e The National. Amanhã vai ser legal.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Welcome!

O carioca Alexandre Kassin é baixista e um dos produtores musicais mais requisitados da MPB, tendo produzido discos de Caetano Veloso, Jorge Mautner, Los Hermanos, Lenine, Vanessa da Mata, entre outros. Fundador do grupo Acabou La Tequila, que é uma referência para uma geração de roqueiros no Brasil, Kassin começou sua carreira de produtor ao se juntar com o amigo Berna Ceppas, com o qual tem a produtora de som Monoaural, responsável pela trilha sonora de filmes premiados como "2 Filhos de Francisco". No fim da década de 90, ele fundou com Moreno Veloso e o baterista Domenico Lancelotti o projeto + 2, no qual os três se revezaram na liderança nos discos Máquina de Escrever Música (Moreno + 2), Sincerely Hot (Domenico + 2) e Futurismo (Kassin + 2). Hoje, o baixista toca com a Orquestra Imperial, ao lado de um vasto time de músicos que inclui Berna, Moreno e Rodrigo Amarante (Los Hermanos). No TIM Festival 2008, Kassin deixa de lado o baixo e os botões da mesa de som para comentar alguns dos shows e trocar uma idéia com os artistas do evento.
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