domingo, 26 de outubro de 2008

Terceira noite

Ontem fechou com chave de ouro esta edição do festival. Tive grandes surpresas na noite. A primeira delas foi Tomasz Stanko.

Tomasz me surpreendeu muito, eu havia ouvido vagamente um disco seu na casa do meu amigo Perna, que estava lá assistindo, e gostei, mas não me aprofundei muito na obra dele, pouco sabia sobre.

Na entrada do show, encontrei Ed Motta e Edna. Ed estava bastante entusiasmado, com discos para autografar, inclusive, e esse foi pra mim o segundo sinal de que deveria ter prestado mais atenção antes de ir vê-lo.

A formação da banda é de piano, guitarra e baixo – tocado quase todo o tempo com palheta – e bateria. Era bastante rock. Músicos excelentes. Destaque para Jim Black na bateria, bastante criativo e com estilo único, e para Jakob Bro na guitarra.

Jakob Bro merece muita atenção. Guitarrista talentoso, inesperado, foi sem dúvida uma atração à parte no show de Stanko.

Stanko era parceiro musical de Komeda. Dedicou obras a ele, é adepto da música livre. Conversamos um pouco no camarim depois do show. Por sorte encontrei Ed por lá e pedi para me ajudar na entrevista pela minha ignorância no assunto. Você pode conferir o vídeo no site do TIM.

Saí dali muito feliz pela grande surpresa e fui ver o final do excelente show do Neon Neon. Pena eu não ter conseguido ver todo, como planejava, mas o pouco que vi já valeu a pena. Har Mar Superstar é uma participação bastante luxuosa em qualquer festival. Aproveitando a vinda, aliás, ele deveria ter feito um show sozinho, embora ele tenha participado de quase todos os shows que vi.

Vi um pouco do Bill Frisell também. Adoro Bill tocando, sua maneira sensível de lidar com efeitos fica realçada no formato de trio. Já toquei junto com o baterista Kenny e adoro seu estilo. Falei com Kenny sobre o show do Dan Deacon e nos encontramos mais tarde por lá.

Marcelo Camelo deveria ser um capítulo à parte – e foi, para mim, pelo envolvimento com ele e sua história, o show mais emocionante. Um grande estado de alegria tomou conta de mim por vê-lo tão bem, tão bem acompanhado pelo Hurtmold, que adoro, mas, mais do que tudo, pela constatação de que a pausa do Los Hermanos finalmente conseguiu dar o passo a frente na estranha viuvez que havia ficado. Vê-lo novamente lidando com o público com alegria me deixou muito alegre. Literalmente ganhei meu dia.

Fui ver um pedaço do Gogol Bordello, que foi para mim outra grande surpresa. Simpatizo com Eugene, o vocalista, mas achava algo estranho nos discos, achava parecido com Mano Negra, banda de que sempre gostei, mas não batia muito, e agora ao vivo é outra história.Gogol Bordello passa por cima, eles atropelam, é impossível não se deixar contagiar e perder qualquer senso crítico. E essa era a situação do público. Quando cheguei, estava parecendo um grande carnaval, não havia ninguém parado. Eugene tem um carisma absurdo e a banda é muito boa. Como é bom estar errado e ter surpresas.

Dali, fui descansar um pouco e tentar entrevistar Dan Deacon, mas, quando chegamos ao camarim, eu e Mariano Marovatto, meu companheiro de aventuras durante o festival, íamos começar, mas o Junior Boys já estava na ultima música, e Dan precisava se preparar. Bom, quem viu o show sabe que não haveria a menor condição de entrevistá-lo depois.

Que show! Sabia que seria bom, mas não imaginava que ele conseguiria promover aquela catarse numa platéia que não o conhecia. Impossível descrever. Tentando brevemente, seria algo como se Bruce Haack tomasse speed e estivesse desesperado para fazer a maior e mais insana festa já feita na humanidade.

Aliás, a pessoa que eu deveria ter entrevistado e fotografado era o segurança que estava ao lado de Deacon. Ele não estava acreditando naquilo tudo. Queria muito saber seu ponto de vista, mas na hora eu também estava fora de mim e não consegui voltar ao foco. Vi Gruff correndo e dançando com Har Mar, Hermano Vianna dançando – sim, eu disse Hermano dançando. Kenny de boca aberta tentando entender, a galera do Bonde do Rolê, João Brasil. Imagino às vezes que pra muitos que estavam ali era como ver os Sex Pistols na época, pela primeira vez. A vida se divide entre antes e depois daquele show. Não consegui entrevistar Dan, mas quem se importa. Não haveria nada mais relevante para ele falar depois.

Infelizmente, eu estava tão imerso no show do Deacon, que não consegui ver Música Magneta, que era quase ao mesmo tempo. E vi o final do show do Sany Pitbull, que estava ótimo. Sany é o grande talento do funk recente, ele está levando o estilo a um lugar novo. Gostaria de ter assistido mais ao show dele.
Bom, agora é aguardar o ano que vem. Esse ano foi antológico, me diverti muito e nem senti tanto o peso da jornada longa. Fiquei com pena de não ver o Paul Weller, mas acho que com tantos bons shows também não fez falta. O saldo foi mais que positivo.

3 comentários:

Anônimo disse...

Pena que você não pôde ver o show do Enrico Pieranunzi, sem dúvida um dos 5 maiores pianistas do cenário do jazz mundial. Trio estupendo! Maravilhoso!Stanko e Frisell também arrebentaram!

Anônimo disse...

o blog pára por aqui? foi só pro tim festival?

Anônimo disse...

Alexandre Kassin, teu trabalho é incrível.
E falando do blog, ta legal, mas acabaram as atualizações. : \
Só confirmando o que “premeditado” falou só para o tim festival ?
Outra coisa, gostaria muito de trocar uma idéia com você sobre uns sons, você é um cara muito ocupado, mas se der para me passar teu e-mail de contato eu agradeço muito.
Jfoalmeida@hotmail.com
Abraços
Se cuida.

Felipe Almeida
Sr. Lótus